novembro 23, 2008

(Primeiro da série "textos desengavetados") Passos

Passo
cada
passo
pensando
se
posso
passar
passivamente
perante
a
tua
pessoa;

no
passado
paciente,
pacífica
como
os
pássaros
que
passavam
a
Pasárgada.

Porém,
agora
passas
tu,

sem
pensar
se
o
passo
que
passaste
passou
por
sobre
meu
paço;

Ou
se
fui
eu,

simplesmente,
passado.

1999/2002


novembro 22, 2008

Alívio

Sei que há;
está ali;
vi-o já.


Pálido, plácido...
Trôpego, tímido...
Lânguido, plástico...

Lívido e triste.
Lépido e trágico.

novembro 01, 2008

Falo desde o princípio


Para introduzir,
Falo
desde o princípio.

Jorro e ventre
Ventre e seio
Seio ao mundo
Mundo e reino.

Teu ser
ensimesmado
impoluto
absoluto.

Até tomarem-te o cetro...

Reino
destituído
doído
falido.

Se ainda Falo: cortado.

És tu sem o trono
sem o posso - não posso,
sem som, sem apito
sem a posse, sem troço.

É vara que parte,
parte que cala.

Tarde sem festa,
festa sem gala.

Haverá forças à fala?

Pois que o fale.

[...]

Outro
no mundo,
jogado.


Aceitar, renunciar, desperceber (haverá outras alternativas?).


Espada ao chão.


Ei-lo suprimido, Sigmund.
Devastado teu signo primeiro,
dito.

Assim...

o falo que falo,
que falou meu analista,
que se busca encontrá-lo,
que negou-te o próprio pai,

far-se-á para sempre procurado.

outubro 26, 2008

Texto de estréia

Aos textos, enfim,
tal

Reencontro,
redescoberta

Troca

sujeira das tintas e do grafite
às pressões digitais;

angústia da má caligrafia
à impessoalidade das fontes escolhidas;

descadernadas folhas de papel

(ariscas, efêmeras,
fugidias, frágeis,
passadissas e absolutamente perdíveis)

à abstração dos acervos em bytes

Então,
ao que foi útil e ao por ser,

um abraço

A todas as canetas que não serão precisas;
à celulose e suas árvores que serão poupadas;

às idéias,
futuras ou reminiscentes,

que se verão salvas, a salvo,

nas pastas abstratas que jamais empoeirarão.